O texto de Cordeiro Jr faz uma
crítica à sociedade moderna, que está cada vez mais alheia ao desenvolvimento
humano e cada vez mais baseada na lógica formal e no materialismo, propondo,
como uma das formas para mudança dessa filosofia, um novo método do ensino do
judô, cujo qual mostraria sua evolução sócio-histórica, denotando o dinamismo e
o caráter provisório, no que diz respeito à evolução das técnicas aplicadas, do
esporte e refutando a prática do judô como sendo apenas a estática aplicação de
técnicas apuradas.
O judô teve seu início no Japão
feudal, onde classes menos favorecidas que não tinham acesso às espadas, que
por sua vez eram destinadas aos samurais, reuniam-se para a prática do jiu-jítsu,
para que quando fossem confrontados pelos samurais pudessem aplicar golpes de imobilização
e de morte sem que fossem atingidos pela espada. Mais tarde, com a urbanização
do Japão, a necessidade social histórica torna-se o convívio urbano, com leis e
o governo. Pensando nisso, Jigoro Kano, o precursor do judô, pensa numa luta
que mantivesse a tradição japonesa, mas que não levava aos golpes mortais, pois
já não era necessário. É importante ressaltar que o judô, assim como outras
lutas, surgiu não pela ideia espontânea de um homem, mas sim pelas necessidades
sociais enfrentadas pelo povo em determinada época. Por isso, o autor ressalta
a importância da demonstração do jiu-jítsu aos alunos que estiverem iniciando a
prática do judô, construindo dessa forma a fundamentação histórico-social que
envolve o judô. A partir desse momento, o judô passa a delinear-se como uma
luta baseada em fundamentos essenciais: quedas e rolamentos, equilíbrio,
projeções e imobilizações.
Contudo, mesmo a partir do
embasamento do judô, este não se torna estático, portanto o seu ensinamento
deve sempre recorrer à sua origem como forma de mostrar ao aluno que ele tem
sua história, e que esta está sendo construída com o passar do tempo. O aluno
deve saber que, por exemplo, as quedas e os rolamentos possuem significado
histórico, que é o de eliminar as contusões do antigo jiu-jítsu que visava à morte
do oponente, ou seja, o aluno deve, além de fazer, saber por que está fazendo.
Ao passo que a modernidade
capitalista e sua busca pelo lucro passam a ser predominantes na sociedade e
conforme a cultura japonesa se ocidentaliza, o judô torna-se esporte-espetáculo,
tornando-se esporte de rendimento e entra para as Olímpiadas em Tóquio (1964).
O fato é que, tendo se tornado esporte de rendimento, o judô incorpora os
processos de seleção e de especialização de atletas, o treinamento desportivo
exaustivo, dessa forma, deixando de lado seu sentido histórico-cultural original
e preocupando-se apenas com seus aspectos técnicos e de rendimento atlético. O
único interesse passa a ser a competição.
O judô chega ao Brasil nas
décadas de 20 e 30, por consequência da necessidade de mão de obra ao país e
que possibilita a vinda de imigrantes japoneses que trazem consigo o judô e
iniciam sua prática como forma de matar a saudade da terra natal. Em
decorrência do desemprego, as primeiras academias de judô são fundadas e a
partir daí o judô é totalmente difundido no país.
Avaliando todo o desenvolvimento
da crítica, podemos concluir que o ensinamento do judô deveria ser conectado diretamente
com as múltiplas relações em nossa sociedade, incentivando os alunos a
perguntarem aos pais e avós o que eles conhecem do judô e como obtiveram esse
conhecimento, perguntando a eles se praticam o judô como forma de lazer ou se
assistem filmes sobre o tema, questionando se os mesmos possuem o gosto pela
atividade física e se o judô estaria incluído entre as atividades, entre outras
coisas, e por consequência, mostrando ao aluno o papel do judô na sociedade.
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